(A partir do texto Estorvo, de Chico Buarque, os alunos do Primeiro Colegial tiveram que escrever uma narrativa sobre a dúvida do personagem que se encontrava em tal situação)
Meu Deus, que horas são? O dia ainda nem clareou! Ouço um barulho ao longe, mas meu estado sonolento não me permite identificar o que é. Sento na cama e ouço o tal barulho novamente, a campainha.
Levanto e cambaleando me dirijo até a sala. Procuro um roupão e eventualmente um relógio... Ah, quatro da matina, quem será a essa hora?
Pego o roupão. Ouço novamente o barulho e isso começa a me irritar. “Pare de me apressar!’’, é o que eu tenho vontade de gritar. ‘’Já estou indo, caramba!’’. Chego na sala, chego na porta e pelo olho mágico vejo pouco mais que a silhueta de um homem alto e magro. Não vejo seu rosto, mas vejo que tem cabelos pretos e esvoaçantes. Busco em minha memória alguém que se pareça com essa figura parada na frente da minha porta... A campainha me tira dos meus pensamentos, ouço a tocar por mais um tempo e o homem parece impaciente.
Devo abrir ou devo fingir que não tem ninguém em casa? Afinal, eu me encontro sozinha, sonolenta, às 4 da manhã com um desconhecido insistente em minha porta. Devo me arriscar a abrir? Nunca fui uma pessoa muito corajosa, e também não me acho forte, sei que não teria sorte caso precisasse lutar com esse homem. “Minha única forma de escapar seria usando o abajur, mas está do outro lado da sala, nunca chegaria a tempo...’’ penso, enquanto reparo como estou ficando paranóica, não pode ser nada tão sério assim, não sei por qual motivo alguém gostaria de me matar.
A curiosidade começa a tomar conta de mim e me deparo com a minha mão na fria maçaneta e isso faz com que suba um arrepio pela minha espinha. Paro. Paro e penso se devo continuar o movimento. Desisto. ‘’Que covarde eu sou!’’ penso, e logo recuo em pequenos e silenciosos passos.
Não ouço a campainha, será que desistiu? Não ouso ir até a porta para checar, então me viro e vou em direção ao quarto. Passo pelo relógio, e vejo aqueles números brilhando em verde-limão... 4:10.
Volto para o quarto, volto para a cama e tento voltar para o sonho. Fico pensando naquela silhueta. Fecho os olhos e espero dormir logo. Não quero mais supor o que seria aquele homem. Prefiro pensar que foi engano e nada mais.
Viro de lado e durmo esperando ouvir, daqui a algumas horas um barulho ao longe, mas dessa vez espero que seja só o meu despertador.
É velho, é estranho, não tem uma boa note e não tem um bom final, mas eu ainda gostei dele...
terça-feira, 11 de agosto de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
trigésimo segundo~ [Seu Agulha e Srta Dedo]
- Ah, Senhor Dedal, peço-lhe licença. Estás no meu caminho e gostaria de ter uma prosa com a Srta. Dedo - disse Seu Agulha.
-Peço que me desculpe, mas não posso sair. Estou aqui como proteção para a Srta. – respondeu, sempre educado, o Senhor Dedal.
- Mas oras, diga-me de quem deves proteger a doce Srta., que eu vos ajudo.
- Protejo a Srta de você.
- Mas que atrevimento. Posso saber por que tamanha falta de respeito?
- Mas serás cego? Não vês que toda vez que o Sr. toca na Srta., ela sai toda machucada?
- Como estou na história, vou agora opinar, e com vossa permissão, gostaria de argumentar, para que assim tu entendas. Sou frágil e delicada, e qualquer interação com o Sr., eu saio toda machucada. Sei que não és mau, mas precisas entender que não posso interagir com você. Isto não é normal e sei que agora podes compreender.
- Pois bem, eu entendo perfeitamente, vou conversar com a Dona Linha que está sempre presente. Aonde eu vou, ela vai atrás, e quem sabe este não seja o começo de algo. Espero que a Srta. um dia me perdoe, nunca foi minha intenção te machucar, e agora nossa amizade vai acabar.
E foi-se embora, sem olhar para trás (somente para os lado),
com sua nova amante,
buraco por buraco afastando-se daquela que antigamente procurava adiante.
E a antiga enamorada, que continuava machucada;
não pela interação,
mas sim pela falta que seu amor fazia no coração.
(texto inspirado na maravilhosa Rita Apoena, do blog Jornal das Pequenas Coisas)
-Peço que me desculpe, mas não posso sair. Estou aqui como proteção para a Srta. – respondeu, sempre educado, o Senhor Dedal.
- Mas oras, diga-me de quem deves proteger a doce Srta., que eu vos ajudo.
- Protejo a Srta de você.
- Mas que atrevimento. Posso saber por que tamanha falta de respeito?
- Mas serás cego? Não vês que toda vez que o Sr. toca na Srta., ela sai toda machucada?
- Como estou na história, vou agora opinar, e com vossa permissão, gostaria de argumentar, para que assim tu entendas. Sou frágil e delicada, e qualquer interação com o Sr., eu saio toda machucada. Sei que não és mau, mas precisas entender que não posso interagir com você. Isto não é normal e sei que agora podes compreender.
- Pois bem, eu entendo perfeitamente, vou conversar com a Dona Linha que está sempre presente. Aonde eu vou, ela vai atrás, e quem sabe este não seja o começo de algo. Espero que a Srta. um dia me perdoe, nunca foi minha intenção te machucar, e agora nossa amizade vai acabar.
E foi-se embora, sem olhar para trás (somente para os lado),
com sua nova amante,
buraco por buraco afastando-se daquela que antigamente procurava adiante.
E a antiga enamorada, que continuava machucada;
não pela interação,
mas sim pela falta que seu amor fazia no coração.
(texto inspirado na maravilhosa Rita Apoena, do blog Jornal das Pequenas Coisas)
trigésimo primeiro~
Sentada;
esperando...
e quem sabe o sol sair.
Esperava a carta que nunca chegou
e com ela o sentimento nunca dito.
Esperava, talvez, algo nunca chegaria;
e o que já estava lá e somente ela não sabia.
Ela esperava também o que não tinha direito de pedir;
e esperava ser tudo o que um dia pediram.
Ela, sentada, esperava o fim;
para que assim pudesse finalmente recomeçar.
Recomeçar tudo.
Recomeça-la.
Mas enquanto isso ela continuava sentada;
esperando...
sexta-feira, 22 de maio de 2009
trigésimo~
E estes são meus medos tornando-se reais, e minhas dúvidas virando certezas.
Escrever melhora, mas não ajuda...
Faz tudo fazer parte da realidade do mundo, quando antes só fazia parte da minha.
E fazendo parte da realidade do mundo, eles são reais,
ou não?
Talvez não sejam, talvez sejam só parte de mais alguma coisa,
uma coisa maior do que antes era.
Desequilíbrios e dúvidas fazem parte da vida de cada um;
a única diferença é a maneira como você lida com isso.
Não sei se estou certa;
não importa.
Não quero entender o mundo, só quero fazer parte dele,
e com isso, talvez eu entenda alguma coisa...
Talvez não,
mas isso também não importa.
'A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso.
A única magia que existe é a nossa incompreensão'
(Caio Fernando Abreu)
sexta-feira, 15 de maio de 2009
vigésimo nono~

Depois de um certo tempo as coisas foram ficando embaralhadas na minha memória.
Os quartos, salas, os cantos da casa foram sumindo...
É como se nada mais fosse como antes, mesmo que nada tenha mudado.
Na verdade, essa sensação é bem ruim... Mas a vida continua, era só um espaço.
O mais estranho é me deparar com esse mesmo lugar que antes era o meu recanto, e agora me esforçar para lembrar como cada cômodo era. Mas eu não ligo para isso. O que eu quero lembrar é o que se passou lá, e isso é o mais difícil. Não é como se eu fosse entrar e lembrar, pois só existe um lugar que eu posso procurar essas tais lembranças e esse lugar é na minha cabeça.
-
Eu achava que aquilo era tudo que eu precisava. Enganei-me.
Não preciso, nunca precisei.
Mas me dava um certo alívio saber que existia.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
vigésimo sétimo~ [Felicidade Rotineira Antiga]
Apesar das pessoas sempre falarem que eu sou meio idiota por isso, eu ainda acho que vale a pena.
(Senhor passa e fica encarando o braço da garota)
Senhor sorri e diz: Te rabiscaram toda hoje, é?
Garota retribui o sorriso: Não, eu mesma que me risquei para desejar bom dia para as pessoas! :)
S: Quando eu era criança eu ficava rabiscando nas aulas também. Rabiscava, rabiscava só por rabiscar.
G: haha, não prestava atenção nas aulas para ficar rabiscando?
S: Não, não.. Nas aulas de revisão.
(...)
S: Quando eu tinha 10 anos eu trabalhava. Saia rápido da escola, almoçava e ia pra fábrica.
G: Nossa, com 10 anos você já trabalhava?
S: Sim, naquele tempo era normal... Com 10 anos eu estava no primário.
(...)
S: Uma vez eu perdi o ônibus, tinha que esperar uma hora para o próximo, fui lá no caixa do supermercado, tirei dinheiro e paguei um táxi!
(etc etc etc)
Ganhei um sorriso, uma conversa e um bom humor.
E isso vale mais que uma dúzia de pessoas perguntando porque diabos eu me rabisco toda...
(achei este texto hoje.. é super antigo, mas não quero me esquecer de novo deste senhor. :D)
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
vigésimo quinto~
É como estar caindo...Mas sem a sensação de medo;
e sim a maior sensação de calmaria que você já sentiu na vida.
Não me "salve", não me ajude;
você não tem idéia de como eu estou bem assim.
E é essa sensação que eu quero guardar em mim para sempre;
A melhor sensação de todas;
Esquecimento, liberdade... ilusão.
De fato sei que é ilusão;
e sei que quando acabar, vou sentir falta disso.
Mas por enquanto, eu não ligo;
Estou bem assim;
quero ficar assim.
Quero me sentir bem com tudo ao meu redor;
e por um segundo ignorar tudo.
Não se preocupe, sei que isso é irreal;
mas não me arrependo de sentir.
Estou aqui;
estou viva;
e estou feliz.
(não estou drogada nem dormindo... Só mais uma loucura enquanto escutava Sigur Rós)
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