terça-feira, 3 de novembro de 2009

quadragésimo quarto ~


Hoje uma menininha sorriu para mim.
e não foi qualquer sorriso, foi aquele sorriso sincero, gostoso de ver, sabe?

Eu estava no ponto de ônibus, já estava estressada por esperar o ônibus debaixo do sol queimando minha pele. Ao longe vejo um ônibus - que não era o meu - se aproximando, e quando noto ele para ao meu lado. Olhando pela janela tinha uma menininha (daquelas sapecas mesmo) com os olhos bem abertos me encarando. Eu sorrio, ela retribui, e assim começa nossa interação de poucos segundos.
Eu aceno, ela retribui, ela brinca de se esconder atrás da janela do ônibus, eu rio. Mostro a língua, ela fica pulando, e assim foi até o sinal abrir e o ônibus sair dali.

Assim, simples assim, espero que isso dure na minha memória por muito tempo, para quando eu me sentir mal, gostaria de ter o sorriso dela na minha mente.

[pequena nota para o destinatário da carta anterior]

Semana passada eu te encontrei... Fiquei com medo.


Na verdade fiquei com medo de você não se lembrar de mim, e isso provar que só dei mais importancia do que tinha.
E talvez você realmente nem lembre de mim, talvez só eu pense em como você é importante. Mas você foi tão legal comigo que ainda me fez bem mesmo assim.


Obrigada!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

quadragésimo terceiro ~


E talvez se você me tocasse veria que a casca dura é mais frágil do que parece.

Será que não vê como me faz mal a medida que me faz tão bem?
Sentimentos diversos, ouso dizer até que são opostos. Poderei entrar em conflito interno novamente?
E por incrível que pareça, sinto que te quero aqui, nem que seja por um dia, nem que isso aumente a minha agonia depois. Um dia é tudo o que peço, é tudo o que preciso.
Não poderia exigir nada mais, não é?
E se você pudesse enxergar além de mim, será que veria que existe mais do que parece? Veria que não te falo nem metade do que quero.
Meus medos e minha insegurança. Ah, isso eu prefiro guardar dentro de mim, você não pode saber.
Vamos fingir que eu sou tão forte quanto pareço, tão imparcial e impassiva.
Vamos fingir que este mar de sentimentos simplesmente não existe, e não existindo eu não estou me afogando nele.

Vamos fingir, nem que seja por um minuto, que você está aqui.
E que é isso que eu preciso... Somente isso.

(Escrever sem censura - escrever o que vem na cabeça, sem lapidar e pensar demais - até que é legal...)
(Escrevi correndo para não esquecer novamente como eu me sinto, já que amanhã tudo isso terá sumido!)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

quadragésimo segundo ~ [Carta à um (des)conhecido]


Caro ________,


Há quanto tempo não te vejo, como está? O que te feito da vida?
Hoje me encontrei pensando em ti, e resolvi escrever uma carta, mesmo que virtual e mesmo que nunca chegue em ti, ficarei feliz escrevendo-a.

Sabe, às vezes eu me pergunto por que motivos nossos caminhos não se cruzaram mais, mas fico feliz por ter te conhecido, nem que seja por dois dias.
Fico me perguntando se você conseguiu ser piloto... Gosto de pensar que sim, que está lá no céu, fazendo o que sempre quis, que agora se sente livre e feliz... Mas às vezes penso que ainda dirige ônibus cidade adentro. Não gosto desse pensamento na verdade! Tanto treino e estudo deve ter valido a pena, não?
Lembro-me até hoje, mesmo que vagamente, de nossas conversas... Acho que você não sabe, mas foi a pessoa que disse uma das frases que mais me marcou (''Você tem medo de se apaixonar, não é? Dá para notar...''), e mesmo que não me conhecesse tão bem, me decifrou melhor do que a maioria. Gostaria de agradecer por isso.
Gostaria de te encontrar e dizer que eu estou bem, te dizer o que aconteceu e o que eu espero que aconteça ainda. Alguns meses são suficientes para mudar a vida de uma pessoa, não é?

Espero que tenha realizado os teus sonhos... Lembro a alegria que você tinha em contá-los para mim, e para quem quisesse ouvir.
Só gostaria de dizer que espero que esteja feliz, gostaria muito de saber que está.
Fique bem.

Atenciosamente,
C.M.C.
(ou medrosa-não-estudiosa-desastrada-sorridente, como preferir...)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

quadragésimo primeiro~

Abriu os olhos, via a luz do sol entrando gentilmente pela fresta da janela, convidando-a para sair. Levantou, meio cambaleando, prendeu o cabelo bagunçado. Lavou a cara, e com isso tirou a mancha de lápis borrado de choro da noite anterior.
Olhou-se no espelho, tinha a expressão abatida, e imediatamente pegou a bolsinha de maquiagem, jogou um pouco de pó aqui, corretivo ali, e já se sentia melhor... Nunca foi muito vaidosa, mas precisava se sentir bem naquele momento. Não estava linda, mas estava satisfeita com o que tinha.
O dia estava quente, perfeito para recomeçar. Correu para o quarto, escolheu sua melhor roupa, vestiu rapidamente enquanto ouvia sua música preferida. Dançava, dançava e espantava todos os males. Se olhou novamente no espelho, aprovando o visual. Foi até a sala, indagando saber onde tinha jogado a chave do carro. Achou o chaveiro azul de pelúcia, e consequentemente a chave do Chevette herdado do pai.
Entrou rapidamente no carro, ligou o rápido, a voz soterrada do Eddie Vedder invadia todo o espaço do carro (http://www.youtube.com/watch?v=GXVpjjpwNss), abriu a janela e deu partida... Apesar de tudo, se sentia bem, uma hora teria que deixar tudo aquilo para trás, e a hora tinha chegado.
O vento entrava no carro trazendo o cheiro de manhã para dentro. Tudo isso parecia uma conspiração para fazê-la se sentir bem, e ela não pensava em reclamar. Finalmente o ponto final tinha sido dado, e apesar de doloroso, era preciso.
Olhou para tudo a sua volta, soltou um tímido sorriso pelo canto da boca, suas covinhas ficaram evidentes, e suas bochechas coraram. Cantava e se deixava levar. Para onde ia? Nem mesmo era sabia, mas o dia estava tão bonito que não poderia ser desperdiçado.
E com isso aproveitou a liberdade que ela tinha se dado de ser... livre. Não se importava mais com o que tinha acontecido, só precisava de um tempo para ela, e finalmente se deu esse tempo.
E foi-se embora, sabendo que ia voltar, mas sem prazo determinado... Só queria ser feliz, e faria tudo para conseguir isso.

(http://www.youtube.com/watch?v=RRTDrriPNVU)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

quadragésimo~

E enquanto ela chorava,
as realidades distintas se entrelaçavam e se completavam,
quase como se dissessem a mesma coisa.

Mas eram distintas,
opostas,
disputavam verdades,
omitiam sentimentos,
e por fim, não faziam sentindo juntas.

Realidades, uma vez modificadas, ainda são realidades?
Era isso o que ela se perguntava, queria saber se o que ela sentia ainda era absoluto ou apenas metade de uma mentira...
Ou a verdade modificada por ela.

E a lágrima ainda rolava no rosto machucado,
não fisicamente,
mas as cicatrizes internas já ocupavam o corpo todo.
Será que se ela acreditasse fortemente que elas não existiam...
Elas iriam sumir?

Seria possível modificar a realidade, e acreditar nisso de uma maneira tão absoluta que virasse realidade?
Não, não era possível.

A realidade, uma vez modificada, não é mais uma realidade.
É uma verdade interna, uma crença pessoal.
Não poderia ser uma realidade... E não era.

E isso arrancava mais lágrimas ainda,
pois o que existia, existia, e não importa o que ela falasse, ela não poderia tornar a dor irreal.

Modificá-la não a faria desaparecer.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

quadragésimo quinto~

Você já sentiu como se tivesse em um sonho pausado?
como se as cores e os sons, tudo fosse criado por ti, mas você não tem poder sobre isso.
E agora tudo pausou;
você não sai do lugar, nem mesmo para retroceder.
E sente como se fosse ficar ai por muito tempo.
É uma agonia enorme saber que tudo será sempre igual;
tudo; as pessoas; as cores; você... Tudo.


Como se ''futuro'' fosse apenas uma palavra a mais no dicionário, e ''mudança'' fosse uma piada distante e um tanto quanto maldosa.
Será que se eu me concentrar muito forte volto para onde estava?
Por que eu parei no tempo? Por que eu me parei dentro de mim?


Será que se eu for dormir sonho com a realidade?
Volto para onde a dor é real, mas pelo menos as coisas podem mudar... Eu posso mudar.
Para melhor ou para pior, isso eu decido depois;
mas só a alegria de saber que eu posso mudar, me modificar, já vale a pena a dor.
Não aguento mais continuar a mesma, sem saber das coisas... Parada.
Fiz-me errada;
Preciso me refazer.

[na falta do que escrever, vasculho os textos antigos que tenho por aqui]