Aquele café fumegante sempre teve gosto de amor.
E agora a xícara se encontrava no meio da mesa, intocada.
Palavras não eram necessárias naquele momento, tudo o que era preciso ouvir já tinha sido dito. Ambos já tinham reparado que o momento final era inegável, porém nenhum queria ser o primeiro a dizer 'adeus'. Palavra maldita essa que arrancava lágrimas da moça antes mesmo de ser dita.
Os pensamentos jogados sobre a mesa procuravam espaço entre a xícara, as alianças, as malas e o silêncio. Silêncio que rasgava o coração dos antigos amantes que antes se diziam eternos.
Aquelas confissões tardias, e os perdões não sinceros. E a dor no meio de tudo. A confiança havia se perdido no momento, não poderiam mais continuar.
Por fim, entre lágrimas o homem se levantou e pegou a xícara na mesa.
Um último olhar, um último adeus não dito. Um último gole...
O café nunca esteve tão amargo.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
vigésimo segundo~

Um dia que começou cinza não poderia acabar melhor.
Na verdade, literalmente falando o dia não começou cinza, começou com um nascer bonito e gelado do sol e foi ficando nublado e cinza. Mas para mim foi exatamente o contrário. Começou mal, e agora não poderia ficar mais feliz.
Sem mais enrolações, vou contar logo a história.
Eu estava com a minha irmã no ponto de ônibus e especialmente hoje (sabe aquele dia que tudo parece chato e não dá vontade de fazer nada além de dormir? Exatamente um dia assim!) o ônibus demorou um bocado.
Um ônibus vermelho passou, não era o meu, mal estava prestando atenção até ele parou e um senhorzinho foi descer. Eu estava com o pensamento muuuito longe dali então só fui perceber a dificuldade do senhor quando ele já estava no quase último degrau.
"Ah! O senhor quer ajuda?"
Ofereci a mão e ele retribuiu a minha gentileza segurando-a. Primeiramente ele não segurou forte, nem mesmo se apoiou, mas nunca seguraram a minha mão com tamanha delicadeza. Era como se ele fosse frágil, como se qualquer toque brusco o quebrasse. Lembrou-me um pouco de um passarinho.
"Você quer ajudar para atravessar a rua?" "Ah, sim!"
E de mãos dadas atravessamos a rua, eu morrendo de medo que um carro passasse, ele com uma calma e certa lerdeza sem igual. E assim, sem mais nem menos ele começou a conversar comigo sobre o câncer que ele tinha e como o médico tinha dito para andar uns 6 km por dia, então ele ia andar uns carteirões e voltar.
"Você sabe onde eu pego o ônibus de volta?". Levei-o para o ponto com um certo medo de deixa-lo ali sozinho. "Você sabe o ônibus que precisa pegar para voltar?"
Despedi-me e assim de surpresa ganhei mais um beijinho carinho repleto de bondade. "Reze por mim" "Pode deixar, espero que você melhore!"
Espero que ele esteja bem, espero que ele fique melhor.
Estou muitíssimo feliz de novo! :)
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
vigésimo primeiro~

(não vou escrever bonitinho nem nada, vou simplesmente escrever pq eu realmente preciso contar essa cena e a razão da minha interminável felicidade de hoje)
Eu comecei a ir de ônibus para o teatro toda quinta, ai hoje eu estava lá no ponto, como um dia qualquer... Meu ônibus chegou e eu fui entrar quando vi uma senhorinha descendo as escadas com certa dificuldade, e como em um dia qualquer, eu fui ajudá-la.
"Moça, você precisa de ajuda?" (tá, eu sei que não é certo Moça, mas eu tenho mania) e ofereci a mão.
Ela pegou a minha mão e sorriu "Obrigada, querida!" e quando eu menos esperava, ela me deu um super beijinho na bochecha e saiu toda despojada e fofa sorrindo.
Acho que qualquer um que estava perto viu a felicidade transbordando em mim no trajeto todo.
E o mais legal é que quando eu estava no ônibus um moço sentou do meu lado "Parabéns pela sua atitude com a senhorinha!" "Ah, magina... É que eu penso que é assim eu quero ser tratada quando eu ficar mais velha, hahaha!" etc, etc, conversa para o ar.
Meu ponto chegou, desci e fui o caminho todo rindo e sorrindo... Ignorando o fato que todo mundo ficou me olhando estranho pq acho que não é todo dia que se vê alguém tão feliz assim na rua sozinha.
Estou tão feliz! Estou tão feliz!
Eu comecei a ir de ônibus para o teatro toda quinta, ai hoje eu estava lá no ponto, como um dia qualquer... Meu ônibus chegou e eu fui entrar quando vi uma senhorinha descendo as escadas com certa dificuldade, e como em um dia qualquer, eu fui ajudá-la.
"Moça, você precisa de ajuda?" (tá, eu sei que não é certo Moça, mas eu tenho mania) e ofereci a mão.
Ela pegou a minha mão e sorriu "Obrigada, querida!" e quando eu menos esperava, ela me deu um super beijinho na bochecha e saiu toda despojada e fofa sorrindo.
Acho que qualquer um que estava perto viu a felicidade transbordando em mim no trajeto todo.
E o mais legal é que quando eu estava no ônibus um moço sentou do meu lado "Parabéns pela sua atitude com a senhorinha!" "Ah, magina... É que eu penso que é assim eu quero ser tratada quando eu ficar mais velha, hahaha!" etc, etc, conversa para o ar.
Meu ponto chegou, desci e fui o caminho todo rindo e sorrindo... Ignorando o fato que todo mundo ficou me olhando estranho pq acho que não é todo dia que se vê alguém tão feliz assim na rua sozinha.
Estou tão feliz! Estou tão feliz!
sábado, 27 de setembro de 2008
vigésimo~ [Abril Despedaçado]
E do outro lado, os passos o levavam cada vez mais perto do seu destino.
Menino achava que podia voar, e no balanço era o único lugar que tudo virava nada, e nada mais importava.
Tonho dava cada passo com mais receio que o anterior, e dava cada passo com mais tristeza que o anterior.
Menino pensava se veria o irmão de novo.
O irmão pensava quanto tempo ainda tinha para ver quem queria.
Menino sonhava.
Tonho simplesmente fazia o que tinha que fazer.
O Menino contava histórias de sereias e pacus.
Tonho já não sonhava com nada e só tinha um desejo.
O Menino morreu na vida.
Tonho matou a vida.
E nenhum dos dois conheceu a vida além da vida que os rodeava.
(Filme: Abril Despedaçado)
Menino achava que podia voar, e no balanço era o único lugar que tudo virava nada, e nada mais importava.
Tonho dava cada passo com mais receio que o anterior, e dava cada passo com mais tristeza que o anterior.
Menino pensava se veria o irmão de novo.
O irmão pensava quanto tempo ainda tinha para ver quem queria.
Menino sonhava.
Tonho simplesmente fazia o que tinha que fazer.
O Menino contava histórias de sereias e pacus.
Tonho já não sonhava com nada e só tinha um desejo.
O Menino morreu na vida.
Tonho matou a vida.
E nenhum dos dois conheceu a vida além da vida que os rodeava.
(Filme: Abril Despedaçado)
(Foto: O Menino)
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
décimo nono~
Eu sinto sua falta.
Eu não sinto mais a sua presença perto de mim, eu não quero tolerar isso.
Já faz tanto tempo que às vezes eu tenho medo de esquecer tudo isso, não quero esquecer.
E por mais que essas lembranças sejam cruéis às vezes, eu não quero esquecer... Esquecer você, como era a sua presença, esquecer como você fazia eu me sentir bem. Por mais que eu diga que nada vai mudar o seu lugar na minha memória, depois de um tempo as coisas ficam desgastadas, e eu escrevo... escrevo para manter você viva, por mais que não esteja.
É normal? É normal sofrer por uma coisa que já passou assim?
Eu não agüento mais olhar as coisas e te tornar utópica, te tornar apenas uma palavra, um nome.
Não sei mais o que você é.
Um nome, uma coisa do passado... Me dói dizer o seu nome em vão.
Eu dou risada das coisas para torná-las menos dolorosas e mais reais, para assim ir me acostumando devagar, mas quando me pego pensando ainda dói como antes. E nem eu mesma sabia que era assim.
É assim para todo mundo?
Acho que sou péssima para lidar com esse tipo de perda, mas eu vou aprender... Todo mundo perde alguém, c'est la vie, não posso fazer disso um motivo para eu virar coitadinha.
Mas ainda dói pensar que eu te amo tanto. E ainda dói pensar que você não vai voltar... E eu sei disso.
Eu não sinto mais a sua presença perto de mim, eu não quero tolerar isso.
Já faz tanto tempo que às vezes eu tenho medo de esquecer tudo isso, não quero esquecer.
E por mais que essas lembranças sejam cruéis às vezes, eu não quero esquecer... Esquecer você, como era a sua presença, esquecer como você fazia eu me sentir bem. Por mais que eu diga que nada vai mudar o seu lugar na minha memória, depois de um tempo as coisas ficam desgastadas, e eu escrevo... escrevo para manter você viva, por mais que não esteja.
É normal? É normal sofrer por uma coisa que já passou assim?
Eu não agüento mais olhar as coisas e te tornar utópica, te tornar apenas uma palavra, um nome.
Não sei mais o que você é.
Um nome, uma coisa do passado... Me dói dizer o seu nome em vão.
Eu dou risada das coisas para torná-las menos dolorosas e mais reais, para assim ir me acostumando devagar, mas quando me pego pensando ainda dói como antes. E nem eu mesma sabia que era assim.
É assim para todo mundo?
Acho que sou péssima para lidar com esse tipo de perda, mas eu vou aprender... Todo mundo perde alguém, c'est la vie, não posso fazer disso um motivo para eu virar coitadinha.
Mas ainda dói pensar que eu te amo tanto. E ainda dói pensar que você não vai voltar... E eu sei disso.
domingo, 17 de agosto de 2008
décimo oitavo~ [Ela via o chão...]
Ela via o chão. O chão e as pessoas lá embaixo.
A distância era tão grande que as pessoas se tornavam tão pequenas, quase insignificantes, como pequenos pontos que iam de lá para cá.
Pequenos pontos e suas vidas. Pequenos pontos que seguiam a suas respectivas vidas todo maldito dia e nem sabiam o motivo disso. Ela não gostava disso, era quase como se fosse um incomodo.
E continuava parada, olhando fixamente para o chão que nunca pareceu tão tentador. Esse mesmo chão parecia que a puxava para baixo com uma força que nem mesmo ela entendia.
E a brisa... Ah, essa brisa que acariciava seu longo e escuro cabelo era a mesma brisa que levava suas lágrimas para longe e ela sentia que com isso iam-se todas as suas preocupações e frustrações.
Deveria cair na tentação do chão? Deveria parar de ser covarde e encarar a vida? Tinha se escondido por tanto tempo que mal sabia como fazer isso, e era tão covarde que nem queria aprender...
E assim, seguindo a brisa, ela foi para frente... E sentiu seus pés deixando o concreto e seu corpo flutuando naquele lindo dia de verão... Sorriu... Sabia que não ia se arrepender, não podia se arrepender... Afinal, mortos não se arrependem.
(Não, eu não quero me matar, nem tenho vontade disso, meu deus... Mas por algum motivo essa cena veio na minha cabeça.)
A distância era tão grande que as pessoas se tornavam tão pequenas, quase insignificantes, como pequenos pontos que iam de lá para cá.
Pequenos pontos e suas vidas. Pequenos pontos que seguiam a suas respectivas vidas todo maldito dia e nem sabiam o motivo disso. Ela não gostava disso, era quase como se fosse um incomodo.
E continuava parada, olhando fixamente para o chão que nunca pareceu tão tentador. Esse mesmo chão parecia que a puxava para baixo com uma força que nem mesmo ela entendia.
E a brisa... Ah, essa brisa que acariciava seu longo e escuro cabelo era a mesma brisa que levava suas lágrimas para longe e ela sentia que com isso iam-se todas as suas preocupações e frustrações.

Deveria cair na tentação do chão? Deveria parar de ser covarde e encarar a vida? Tinha se escondido por tanto tempo que mal sabia como fazer isso, e era tão covarde que nem queria aprender...
E assim, seguindo a brisa, ela foi para frente... E sentiu seus pés deixando o concreto e seu corpo flutuando naquele lindo dia de verão... Sorriu... Sabia que não ia se arrepender, não podia se arrepender... Afinal, mortos não se arrependem.
(Não, eu não quero me matar, nem tenho vontade disso, meu deus... Mas por algum motivo essa cena veio na minha cabeça.)
décimo sétimo~ [relações invisíveis]
Não sei o nome dele, nem ele o meu, não sei nada da vida dele, nem ele da minha. Mas todo dia nós trocamos sorrisos e acenos.
Nunca falei com ele nada além de "Bom dia!" e nem ele.
Mal sei direito o som da voz dele, já que ele praticamente sussurra essas palavras, ou só as diz com os olhos.
E essa é a nossa relação invisível, pois só nós dois sabemos da existência dela.Porém eu gosto dele, não tem um dia sequer que eu passe e não sorria, e nem um dia sequer que ele não responda o meu sorriso.
Sei que ele cuida de jardim, e ele sabe que eu sou estudante, mas com os olhos ele sabe mais de mim do que eu imagino.
E isso é o mais próximo que eu chego de amizade e sentir falta, até o dia que ele não for mais trabalhar, ou que eu não passe mais por onde ele está. Ai ele sairá do meu caminho e eu não cruzarei mais o dele. Mas até lá, todo dia eu sorrirei singelamente para ele, e ele para mim e isso me deixará muito feliz.
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