sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

quinquagésimo ~

''Hoje eu sonhei com a minha mãe, e ela me abraçou!'' Quem me disse isso, falou com tanta emoção que eu quis postar aqui.

''Acho que é a saudade que faz isso com a gente.''

Simples assim, porém sincero.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

quadragésimo nono~

http://www.youtube.com/watch?v=6r649X5-rdY

Subia montanha acima, com suas pernas cansadas e desgastadas... Quanto mais perto chegava, mas longe parecia estar do topo. Com o seu passo apressado chegaria lá antes do por do sol.
A neblina ofuscava sua visão, o chão parecia mais escorregadio do que nunca, mas ela persistia, e não iria desistir até chegar. O vento frio secava as gotas cansadas de suor que desciam pela espinha da senhora fadigada. Seu cabelo branco ficava mais visível com aquela determinada luz do sol.
Ao longe ela já podia escutar a água do riacho descendo, as folhas das árvores correndo pelo chão, ouvia tudo. Ao longe ela escutava a paz.
Ia cantarolando uma leve e antiga canção de ninar que sua mãe ensinara, sua voz rouca ecoava em sua cabeça, mas não saia forte pela montanha. E mesmo que estivesse sozinha, queria que escutassem a sua cantiga. Cantava do fundo do coração, sentia a música no ar. Parou um segundo para sentir esse ar.
Estava perto, não podia desistir, tinha em mente seu maior desejo... Fechou os olhos um momento para descansá-los, e quando os abriu se deparou com a paisagem de seus sonhos. Um pequeno riacho, um lugarejo de paz, um casinha, e somente árvores ao seu redor. Só lembrava-se desse lugar em seus sonhos, e agora estava em casa novamente. Deitou-se na beira do riacho, sentia a água passando por seus dedos, fechou os olhos e estava em paz.
E lá continuou por quem sabe quantas horas, e lá pretendia ficar. Afinal, ela mesma tinha escolhido aquele como o lugar de sua sepultura.

(Baseado em todo o cd The Score, da banda Epica)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Quadragésimo oitavo ~

[Mente corrompida II]
Vou fazer você sentir a navalha descendo tua silhueta, qual será o gosto do teu sangue?
sente o teu sangue quente descendo, sente o meu sangue frio? Sente agora tudo o que eu disse que você não ouviu?
Venha, se aproxime de mim, não tenhas medo... Tens?
Se te matasse agora, você seria feliz? Poderia dizer que fez as escolhas certas, colocou e tirou as pessoas certas? Fez boas escolhas então? És feliz? Que alívio ouvir isso.

Agora você me vê com clareza, não é? Não pode mais ignorar tudo o que um dia foi tão fácil deixar para trás. Sempre soube como ia acabar, sempre estive certa, quem é você para se achar o Senhor da Razão agora? Será que tens coragem de dizer que no final das contas eu fui tudo o que você imaginou?
Não minta para mim, sei te ler, e sei que você pensa o mesmo de mim. É simplesmente maravilhoso poder dizer que você está enganado com tudo isso.
Não aguento olhar na tua cara, tua cara escrota tentando esconder somente o mais difícil, pare de ser tolo, por favor.

E apesar de tudo isso, o que mais me surpreende é o fato das minhas lágrimas ainda se confundirem com o teu sangue, quanto mais te machuco mais saio machucada.
Cale-se, não posso mais ouvir tuas mentiras... Como pude um dia cair?
vá embora...
Já foi.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

quadragésimo sexto ~

As palavras teimam em sumir.
correm rapidamente pelos meus dedos...

As palavras não querem me respeitar, não sabem dizer o que sinto, não entendem o que quero dizer.
Como posso, então, dizer o que preciso?

Corro atrás, e uma por uma pego-as delicadamente com a ponta de meus dedos.
São frágeis, como botões de rosas; São malandras, dizem mais do que pretendo dizer. Dizem até o que não quero.
Será que um dia poderão dizer meus segredos obscuros? Será que se fechar meus olhos, cada palavra saíra contando meus detalhes sórdidos? Poderão elas saberem mais do que eu sobre mim?

Serão mentirosas? Podem mentir o que sinto? Podem enganar-me dessa forma cruel?
Ou será que eu tento enganar-me, jogando a culpa nelas?
Palavras podem mudar tanto assim?
Palavras podem nos mudar tanto assim?
Será que eu gostaria de me mudar através delas?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

quadragésimo quarto ~


Hoje uma menininha sorriu para mim.
e não foi qualquer sorriso, foi aquele sorriso sincero, gostoso de ver, sabe?

Eu estava no ponto de ônibus, já estava estressada por esperar o ônibus debaixo do sol queimando minha pele. Ao longe vejo um ônibus - que não era o meu - se aproximando, e quando noto ele para ao meu lado. Olhando pela janela tinha uma menininha (daquelas sapecas mesmo) com os olhos bem abertos me encarando. Eu sorrio, ela retribui, e assim começa nossa interação de poucos segundos.
Eu aceno, ela retribui, ela brinca de se esconder atrás da janela do ônibus, eu rio. Mostro a língua, ela fica pulando, e assim foi até o sinal abrir e o ônibus sair dali.

Assim, simples assim, espero que isso dure na minha memória por muito tempo, para quando eu me sentir mal, gostaria de ter o sorriso dela na minha mente.

[pequena nota para o destinatário da carta anterior]

Semana passada eu te encontrei... Fiquei com medo.


Na verdade fiquei com medo de você não se lembrar de mim, e isso provar que só dei mais importancia do que tinha.
E talvez você realmente nem lembre de mim, talvez só eu pense em como você é importante. Mas você foi tão legal comigo que ainda me fez bem mesmo assim.


Obrigada!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

quadragésimo terceiro ~


E talvez se você me tocasse veria que a casca dura é mais frágil do que parece.

Será que não vê como me faz mal a medida que me faz tão bem?
Sentimentos diversos, ouso dizer até que são opostos. Poderei entrar em conflito interno novamente?
E por incrível que pareça, sinto que te quero aqui, nem que seja por um dia, nem que isso aumente a minha agonia depois. Um dia é tudo o que peço, é tudo o que preciso.
Não poderia exigir nada mais, não é?
E se você pudesse enxergar além de mim, será que veria que existe mais do que parece? Veria que não te falo nem metade do que quero.
Meus medos e minha insegurança. Ah, isso eu prefiro guardar dentro de mim, você não pode saber.
Vamos fingir que eu sou tão forte quanto pareço, tão imparcial e impassiva.
Vamos fingir que este mar de sentimentos simplesmente não existe, e não existindo eu não estou me afogando nele.

Vamos fingir, nem que seja por um minuto, que você está aqui.
E que é isso que eu preciso... Somente isso.

(Escrever sem censura - escrever o que vem na cabeça, sem lapidar e pensar demais - até que é legal...)
(Escrevi correndo para não esquecer novamente como eu me sinto, já que amanhã tudo isso terá sumido!)