sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

vigésimo quinto~

É como estar caindo...
Mas sem a sensação de medo;
e sim a maior sensação de calmaria que você já sentiu na vida.

Não me "salve", não me ajude;
você não tem idéia de como eu estou bem assim.
E é essa sensação que eu quero guardar em mim para sempre;
A melhor sensação de todas;
Esquecimento, liberdade... ilusão.

De fato sei que é ilusão;
e sei que quando acabar, vou sentir falta disso.
Mas por enquanto, eu não ligo;
Estou bem assim;
quero ficar assim
.

Quero me sentir bem com tudo ao meu redor;
e por um segundo ignorar tudo.
Não se preocupe, sei que isso é irreal;
mas não me arrependo de sentir.

Estou aqui;
estou viva;
e estou feliz.
(não estou drogada nem dormindo... Só mais uma loucura enquanto escutava Sigur Rós)

domingo, 21 de dezembro de 2008

quinquagésimo ~

''Hoje eu sonhei com a minha mãe, e ela me abraçou!''
Quem me disse isso, falou com tanta emoção que eu quis postar aqui.

''Acho que é a saudade que faz isso com a gente.''

Simples assim, porém sincero.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

vigésimo quarto~

Não quero ficar sozinha, não quero me sentir sozinha, será que você poderia me fazer companhia?

Em um segundo tudo muda, o mundo colorido vira cinza ou o cinza vira arco íris.
O sorriso vira lágrima e a lágrima, gargalhada.
Sumir, correr, esquecer.
Não me deixe.
Permaneça.

Vá embora.
Queria que você ficasse, queria ficar aqui com você. Queria que esse momento parasse no tempo, e que o tempo nunca mais saísse daqui. Na verdade só quero ficar por aqui mesmo.

Você está sozinho? Você se sente sozinho? Você quer companhia?

"Don't be afraid to care,
Leave but don't leave me
."
(Pink Floyd - Breathe)

"Três coisas que você deve saber sobre namorar: primeira - o que ele quer da vida. (...)
segunda - se ele te trata bem, não te ofende, não te bate. (...)
terceira - não tenha medo de se apaixonar... Você tem, não tem? Dá para notar... (...)"


"But it was only fantasy.
The wall was too high,
As you can see.
No matter how he tried,
He could not break free.
And the worms ate into his brain."

(Pink Floyd - Hey You)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

vigésimo terceiro~

Aquele café fumegante sempre teve gosto de amor.
E agora a xícara se encontrava no meio da mesa, intocada.

Palavras não eram necessárias naquele momento, tudo o que era preciso ouvir já tinha sido dito. Ambos já tinham reparado que o momento final era inegável, porém nenhum queria ser o primeiro a dizer 'adeus'. Palavra maldita essa que arrancava lágrimas da moça antes mesmo de ser dita.
Os pensamentos jogados sobre a mesa procuravam espaço entre a xícara, as alianças, as malas e o silêncio. Silêncio que rasgava o coração dos antigos amantes que antes se diziam eternos.
Aquelas confissões tardias, e os perdões não sinceros. E a dor no meio de tudo. A confiança havia se perdido no momento, não poderiam mais continuar.

Por fim, entre lágrimas o homem se levantou e pegou a xícara na mesa.
Um último olhar, um último adeus não dito. Um último gole...
O café nunca esteve tão amargo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

vigésimo segundo~


Um dia que começou cinza não poderia acabar melhor.
Na verdade, literalmente falando o dia não começou cinza, começou com um nascer bonito e gelado do sol e foi ficando nublado e cinza. Mas para mim foi exatamente o contrário. Começou mal, e agora não poderia ficar mais feliz.
Sem mais enrolações, vou contar logo a história.

Eu estava com a minha irmã no ponto de ônibus e especialmente hoje (sabe aquele dia que tudo parece chato e não dá vontade de fazer nada além de dormir? Exatamente um dia assim!) o ônibus demorou um bocado.
Um ônibus vermelho passou, não era o meu, mal estava prestando atenção até ele parou e um senhorzinho foi descer. Eu estava com o pensamento muuuito longe dali então só fui perceber a dificuldade do senhor quando ele já estava no quase último degrau.
"Ah! O senhor quer ajuda?"
Ofereci a mão e ele retribuiu a minha gentileza segurando-a. Primeiramente ele não segurou forte, nem mesmo se apoiou, mas nunca seguraram a minha mão com tamanha delicadeza. Era como se ele fosse frágil, como se qualquer toque brusco o quebrasse. Lembrou-me um pouco de um passarinho.
"Você quer ajudar para atravessar a rua?" "Ah, sim!"
E de mãos dadas atravessamos a rua, eu morrendo de medo que um carro passasse, ele com uma calma e certa lerdeza sem igual. E assim, sem mais nem menos ele começou a conversar comigo sobre o câncer que ele tinha e como o médico tinha dito para andar uns 6 km por dia, então ele ia andar uns carteirões e voltar.
"Você sabe onde eu pego o ônibus de volta?". Levei-o para o ponto com um certo medo de deixa-lo ali sozinho. "Você sabe o ônibus que precisa pegar para voltar?"
Despedi-me e assim de surpresa ganhei mais um beijinho carinho repleto de bondade. "Reze por mim" "Pode deixar, espero que você melhore!"

Espero que ele esteja bem, espero que ele fique melhor.
Estou muitíssimo feliz de novo! :)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

vigésimo primeiro~


(não vou escrever bonitinho nem nada, vou simplesmente escrever pq eu realmente preciso contar essa cena e a razão da minha interminável felicidade de hoje)

Eu comecei a ir de ônibus para o teatro toda quinta, ai hoje eu estava lá no ponto, como um dia qualquer... Meu ônibus chegou e eu fui entrar quando vi uma senhorinha descendo as escadas com certa dificuldade, e como em um dia qualquer, eu fui ajudá-la.
"Moça, você precisa de ajuda?" (tá, eu sei que não é certo Moça, mas eu tenho mania) e ofereci a mão.
Ela pegou a minha mão e sorriu "Obrigada, querida!" e quando eu menos esperava, ela me deu um super beijinho na bochecha e saiu toda despojada e fofa sorrindo.
Acho que qualquer um que estava perto viu a felicidade transbordando em mim no trajeto todo.
E o mais legal é que quando eu estava no ônibus um moço sentou do meu lado "Parabéns pela sua atitude com a senhorinha!" "Ah, magina... É que eu penso que é assim eu quero ser tratada quando eu ficar mais velha, hahaha!" etc, etc, conversa para o ar.

Meu ponto chegou, desci e fui o caminho todo rindo e sorrindo... Ignorando o fato que todo mundo ficou me olhando estranho pq acho que não é todo dia que se vê alguém tão feliz assim na rua sozinha.
Estou tão feliz! Estou tão feliz!

sábado, 27 de setembro de 2008

vigésimo~ [Abril Despedaçado]

O balanço ia para frente e para trás, para frente e para trás.
E do outro lado, os passos o levavam cada vez mais perto do seu destino.


Menino achava que podia voar, e no balanço era o único lugar que tudo virava nada, e nada mais importava.
Tonho dava cada passo com mais receio que o anterior, e dava cada passo com mais tristeza que o anterior.
Menino pensava se veria o irmão de novo.
O irmão pensava quanto tempo ainda tinha para ver quem queria.
Menino sonhava.
Tonho simplesmente fazia o que tinha que fazer.
O Menino contava histórias de sereias e pacus.
Tonho já não sonhava com nada e só tinha um desejo.
O Menino morreu na vida.
Tonho matou a vida.
E nenhum dos dois conheceu a vida além da vida que os rodeava.


(Filme: Abril Despedaçado)
(Foto: O Menino)